Não somos contra publicidade ruim. Somos contra publicidade errada. Pensando bem, somos contra publicidade ruim também. Bom, as vezes nem a gente concorda. E você?

::despropaganda:: no orkut

Bruno Motta, humorista

Danilo Zero, cartunista

Sexta-feira

O mundo da publicidade se blinda com essa imagem mista de glamour e descolamento. Mas nem tudo são flores de plástico.

Não deve ser lá grandes coisas perceber que a conta milionária que a agência acabou de fechar com uma grande empresa de alimentos não vai proporcionar desafio algum. Se proporcionar, será o desafio de "como fazer mais do mesmo?".

Olhem a atual campanha do Nescau. Sim, é nova. Mas o redator e toda a equipe da agência tiveram que se sentar por reuniões intermináveis, aprovar um orçamento, passar para uma produtora e uma equipe gravarem uma idéia que não é deles, nem de ninguém, a de que o achocolatado é... "irado".

O pior nem é isso. Eu esbarrei no orkut com a irmã do menino que "interpreta" esse personagem no comercial. Imaginem o tanto de gente que não deve pegar no pé do garoto olhando para a cara dele... aguardando alguns segundos com uma cara bem malvada e dizendo... "...iradoooooo"...
Quinta-feira

Eu queria muito saber o que leva um post a não dar certo como o anterior.

NENHUM comentário... nem pra contar história...
Terça-feira

Ok, a Força X é uma campanha para popularizar, junto a um público jovem, o ato de fazer uma poupança. Mas até que ponto seria necessário reaproveitar o tão desgastado slogan das Casas Bahia?

Tudo bem, o elenco mirim é simpático, mas realmente justifica utilizar tantas vezes a paródia "quer poupar quanto?". Até o gesto com as mãos (batendo umas nas outras) lembra o Fabiano Augusto. Uma citação, tudo bem. Mas o bordão, que nem está mais no ar, tornou-se desde o primeiro instante, além de super-exposto, gracejo bobo e inúmeras vezes reutilizado. Não caiu na boca do povo, somente: foi direto para a gaveta de "piada velha".

Assim, qual seria o real motivo de em tantas peças da Caixa ouvirmos a pergunta de quanto queremos poupar? Será o criativo de uma amigo de alguém da equipe de outra? Hmmmm... será o mesmo criador ou redator, da mesma agência das duas campanhas, que apenas deixou seu ego à mostra e queria ser lembrado, a qualquer preço?

SERÁ?...
Domingo

Enquanto publicitário, eu odeio "tendências".

Conversa típica de café-livraria com pseudo-publicitários (ou "mamãe, quero ser publicitário, só falta o talento, compra?") corre assim:

- O que você acha dessa nova campanha da (Não Interessa)???
- Ah, agora está essa "tendência mundial" de bichos em 3D, de "cute animals". E então, levo listrado ou de bolinhas?

Ou uma coisa do tipo:

- Não entendi esse comercial.
- É uma "tendência" de publicidade-do absurdo. Chama absurdoblicidade.
- Ah, e eu achei que era só uma propaganda ruim!...

E no futuro:

- Estava assistindo TV e jogaram cocô na minha cara.
- Que sorte! É uma "tendência" da publicidade americana de atirar merda diretamente na cara da pessoas, em vez de disfarçarem isso como comercial.
- Uau! E eu achei que tinha exagerado no Rivotril!
Sábado

Essa semana, como novo template, novas seções e tudo mais, meu blog mudou-se para o UOL Famosos, a convite da equipe. Eu tentei uma mudança conjunta, mas não foi possível. De modo que agora o ::despropaganda:: fica aqui no Blogger, e eu sou figurinha do clube do UOL. Vou ter que me desdobrar para cumprir a tabelinha.
Sexta-feira

Nâo é ruim para uma marca quando a estrela que contratada resolveu engordar o cofrinho e ser o rosto de mais uma dezena de produtos?

Desmerece um pouco, né? O público não consegue associar aquele artista a determinado produto, porque se confunde com os outros que ele também anuncia. Não importa muito se os produtos são diametralmente opostos. É demorado pra associar e o investimento naquele artista passa a valer menos para a empresa. E tem artista que se queima mesmo, vende de sandália a hidratante (vocês sabem bem quem são essas).

Mas a Fernanda Torres nunca foi disso. A filha da Montenegro sempre soube escolher bem os produtos que anunciava. Mas acho que ela está construindo uma casa, reformando a antiga, educando os filhos no Tibet ou algo do tipo. Só isso pra explicar ela estar simultaneamente no ar nas campanhas da Suvinil, da Volkswagen, da Ellus e da Sendas.

Entre compras e calças jeans, me responda: a Globo anda pagando mal assim?
Sábado

Duas coisas que poderiam sido faladas no post anterior:

- Como é que a gente nunca comentou direito a tal propaganda do Ponto Frio com a dancinha engraçadinha? Tá, ela não depõe contra a marca, mas é muito tonta... ("porque porque, que no Ponto Frio é melhor..."). Fica o comentário...

- O último capítulo de América foi a maior ::despropaganda:: de todas. Que sorte que eu não assisto novela. Eu não consigo me lembrar de um último capítulo que não tenha sido uma decepção. Todos são.
Quinta-feira

Eheheheh...

vendo "América" ontem, deparei-me com o "último programa" de Dudu Braga, o filho cego de Roberto Carlos. Era uma espécie de "especial" do tal programa ficcional dentro da novela, com auditório e tudo, em nome da "diversidade e da diferença". Mas será que ninguém na Globo percebeu que, em meio ao balé em cadeira de rodas, platéia com diversos problemas de locomoção, um músico que tocava apenas com os pés... que tudo não era um grande Teleton?!?

Em tempo. O coral de surdos mudos do evento parecia merchandising daquela propaganda do Ponto Frio, em que todo mundo dança uma dancinha engraçadinha (porque, porque... que no Ponto Frio é Melhor...)

* - Este post é um comentário humorístico sobre o fato. O ::despropaganda::lembra que a diversidade deve ser respeitada, e o que "inclusão" significa tratar os diferentes com a diferença que eles necessitem.